Digestive Dive: Expedição Intestinal
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Uma homenagem ao Scuba Dive (Durell Software, 1983), que em Portugal também saiu pela TMX. Três das seis etapas são grutas para explorar, como no original: mergulha-se a partir da superfície, vai-se buscar uma coisa lá ao fundo, traz-se para cima e sobe-se para respirar. As outras três são descidas rápidas pelo intestino. Em cada etapa é-se outra personagem: um nanomergulhador, um bolo alimentar, uma gota de quimo, uma bactéria do intestino e, no fim, uma peça de construção que uma criança engoliu.
A ciência
- Boca: a amilase da saliva começa a cortar o amido em maltose. O Streptococcus mutans transforma o açúcar em ácido, que dissolve o esmalte dos dentes, e o flúor ajuda o esmalte a reparar-se e a resistir ao ácido. Perto da garganta, o Streptococcus pyogenes (amigdalite) encontra as amígdalas. Quando se engole, a epiglote tapa a traqueia.
- Esófago: o bolo alimentar desce por peristaltismo, e o esfíncter esofágico inferior impede o ácido do estômago de subir (quando falha, é a azia).
- Estômago: as células parietais produzem ácido clorídrico, que activa a pepsina, a enzima que corta proteínas. O Helicobacter pylori sobrevive ao ácido; Barry Marshall e Robin Warren, em Perth, mostraram que é a causa da maioria das úlceras do estômago. Ajuda-se um endoscópio a tirar dois ímanes e uma pilha-botão: uma pilha-botão engolida, ou mais de um íman, é uma emergência. Depois, o piloro deixa sair o quimo aos bocadinhos.
- Intestino delgado: no duodeno, o bicarbonato do pâncreas neutraliza o ácido, a bílis do fígado (guardada na vesícula biliar) parte a gordura em gotículas para a lipase, e a tripsina continua com as proteínas. No jejuno, a lactase, nas microvilosidades das vilosidades, divide a lactose em glicose e galactose, mas só a uma certa velocidade: é por isso que muitas pessoas com intolerância à lactose se dão bem com uma porção pequena de cada vez. A lactose que não é digerida segue para o cólon, onde as bactérias a transformam em gás (e, no jogo, em bolhas de gás a mais). O íleo absorve a vitamina B12, e a válvula ileocecal leva mais adiante.
- Ceco e apêndice: é uma Roseburia, uma das bactérias do intestino que fermentam a fibra em ácidos gordos de cadeia curta como o butirato, o principal combustível das células que revestem o cólon. O Clostridioides difficile pode tomar conta do intestino depois de antibióticos, e a Salmonella causa intoxicações alimentares. O apêndice pode guardar uma reserva de bactérias boas, que dá uma vida extra.
- Cólon: recupera a água, por isso o conteúdo fica mais firme e o caminho mais estreito. As células caliciformes produzem muco, as bolsas (haustras) contraem-se, os movimentos de massa empurram tudo para a frente e algumas bactérias produzem vitamina K. No recto, o esfíncter interno abre sozinho, e o externo espera que a criança encontre uma casa de banho.
A maioria dos objectos pequenos e lisos que as crianças engolem sai sozinha ao fim de poucos dias. Uma pilha-botão, ou mais de um íman, é a excepção: vá logo ao hospital.
Onde o jogo faz um bocadinho de batota
- Não há nanomergulhadores (por enquanto). Os médicos tiram mesmo objectos engolidos com um endoscópio, mas guiam-no eles próprios, de fora, enquanto a criança dorme com anestesia.
- A viagem fica reduzida a poucos minutos. Na vida real, a comida passa algumas horas no estômago e um a três dias na viagem toda.
- O quimo não anda à procura de bicarbonato, bílis ou enzimas: entram no duodeno e as contracções do intestino misturam tudo. A lactase também não se gasta; só consegue dividir a lactose a uma certa velocidade.
- A pepsina não persegue ninguém. Limita-se a andar por ali a cortar proteínas, o que já assusta que chegue.
O código dos jogos está sob a licença MIT, e os textos e notas de ciência sob CC BY 4.0. Pode usá-los à vontade no ensino: indique «BioGames de David Aragão» e um link para esta página. Detalhes da licença (em inglês). A música, melodias ao estilo do ZX Spectrum escritas em código com a ajuda de IA, também está sob CC BY 4.0.